M i d d l e Of N o w h e r e

Amores, calores, rumores, sabores e cores.


http://meadiciona.com/lilastaut

twitter.com/LilaStaut:

    "Desconstruções - Martha Medeiros"
    Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela “vende” de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa “inventou” um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: o de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

    Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente “venda” mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.

    Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

    A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.
    — 1 week ago
    Quando já não tinha espaço, pequena fuiOnde a vida me cabia apertadaEm um canto qualquer,Acomodei minha dança, os meu traços de chuvaE o que é estar em pazPra ser minha e assim ser tua
Quando já não procurava maisPude enfim nos olhos teus, vestidos d’água,Me atirar tranquila daquiLavar os degraus, os sonhos, as calçadas
E, assim, no teu corpo eu fui chuva… jeito bom de se encontrar!E, assim, no teu gosto eu fui chuva… jeito bom de se deixar viver!
Nada do que fui me veste agoraSou toda gota, que escorre livre pelo rostoE só sossega quando encontra tua boca
E, mesmo que eu te me perca,Nunca mais serei aquela que se fez secaVendo a vida passar pela janela…

    Quando já não tinha espaço, pequena fui
    Onde a vida me cabia apertada
    Em um canto qualquer,
    Acomodei minha dança, os meu traços de chuva
    E o que é estar em paz
    Pra ser minha e assim ser tua

    Quando já não procurava mais
    Pude enfim nos olhos teus, vestidos d’água,
    Me atirar tranquila daqui
    Lavar os degraus, os sonhos, as calçadas

    E, assim, no teu corpo eu fui chuva
    … jeito bom de se encontrar!
    E, assim, no teu gosto eu fui chuva
    … jeito bom de se deixar viver!

    Nada do que fui me veste agora
    Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
    E só sossega quando encontra tua boca

    E, mesmo que eu te me perca,
    Nunca mais serei aquela que se fez seca
    Vendo a vida passar pela janela…

    — 2 weeks ago
    #Maria Gadú